quarta-feira, 28 de junho de 2017

Cerimonial Exposição Ademir Damasco

Ademir Damasco, Nenem, nasceu em Ratones e aos treze anos se viu órfão para batalhar a vida.
A inquietação, o interesse pela arte e a disposição pela busca e pelo fazer, como se o tempo fosse curto, faz desse homem, um voraz consumidor e protagonista de seu tempo e de sua história.
Desde a adolescência quando contava histórias para seu amigo desenhar gibis ou mesmo quando os vendia, e assim garantir o ingresso para algum faroeste ou um filme épico, no Cine Ritz, Ademir já se dobrava ao feitiço do cinema. Desde esse tempo até hoje, com trabalhos premiados, Ademir percorreu um longo caminho.
Amador, autodidata, guerrilheiro cultural, como se autodenomina, teve na fotografia, várias premiadas, o começo de uma vida voltada para a arte. Na verdade, a arte, é o fio condutor de suas manifestações. A escultura, num viés ambiental, pela primeira vez aqui exibida, resgata da natureza, a sobra que ninguém quer e lhe revela a beleza e a forma. É isto que permeia muito a sua história: preocupação com a natureza e o resgate cultural. A colagem, outra manifestação artística, está à espera de um motivo para ser mostrada.
Seus filmes, os vários que fez, trazem as histórias dessa terra, de sua gente, seus valores e, às vezes, com uma delicadeza como vista no “O Presente”, que confunde nossa emoção. Não sabemos se gostamos mais do protagonista ou do diretor, que caminham pela trilha, a conversar como duas crianças.
Ou, então, no “A Origem”, último filme, permeado por uma paciência de seis anos, a espera que as árvores crescessem para enfim, produzir uma prancha de surf, sem nenhum resíduo tóxico, exatamente o contrário do que acontece nesse tipo de  produção. De novo, o meio ambiente é o protagonista da história. É pra lá que ele ruma.
A cultura açoriana é sempre o cenário para os filmes; compondo com a arquitetura, o vestuário, a linguagem, tão rica e original, o trabalho da pesca, as festas, emoldurando os “causos” que Ademir sabe tão bem dirigir porque entende, escuta e fala a mesma linguagem.
Só um caso de amor é capaz desses feitos.  Como um homem apaixonado, é capaz de desvendar sua ilha, suas cores, suas belezas e suas cumplicidades para aqueles acostumados com tanta beleza e nem sempre atentos, para os atentos e para os que não a conhece. É um chamado alegre e sofrido ao mesmo tempo. Alegre porque a ilha é linda, e ele sabe cantar sua aldeia, sofrido porque os menos atentos podem deixar que lhe roubem as cores e as formas. Por isso vai a qualquer lugar mostrá-la: nas periferias, nas universidades, nos bairros, escolas, associações, em Portugal e daqui a pouco, na França e na Alemanha para a mostra “Interperiferia”. Para que não lhe roubem as cores e as formas.
E sabendo que o cinema pode libertar o homem culturalmente, pegava seu filho, Gustavo, na escola, ainda menino, e o levava ao cinema. Hoje, Gustavo, é um editor profissional da área.

      Isolete Dozol - ONODI

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