quarta-feira, 8 de novembro de 2017

teaser 5B a origem

5B é o segundo documentário de uma trilogia chamada A Origem.o diretor acompanha Bernardo, seu neto,do nascimento até os 5 anos de idade, observando com calma toda transformação que aconteceu nesse período.




https://www.youtube.com/watch?v=gG3oTDZt12k&feature=youtu.be

Interperiferias Brasil-Alemanha-França

Membros do projeto interperiferias junto com o grande escritor Alemão Detlev Claussen, antes da apresentação do Filme OUTONO.




Paris junto com os artistas jair e mauro goulart antes da apresentacão do filme A ORIGEM.


quarta-feira, 28 de junho de 2017

Entrevistas para Rádio Campeche

Links:

Entrevista sobre novo estúdio da rádio campeche

Entrevista para rádio campeche

Fotos Exposição Padaria Recanto dos Pães

















Cobertura do evento pela Tv Vento Sul

https://www.youtube.com/watch?v=ghWaszXKPH4


Cerimonial Exposição Ademir Damasco

Ademir Damasco, Nenem, nasceu em Ratones e aos treze anos se viu órfão para batalhar a vida.
A inquietação, o interesse pela arte e a disposição pela busca e pelo fazer, como se o tempo fosse curto, faz desse homem, um voraz consumidor e protagonista de seu tempo e de sua história.
Desde a adolescência quando contava histórias para seu amigo desenhar gibis ou mesmo quando os vendia, e assim garantir o ingresso para algum faroeste ou um filme épico, no Cine Ritz, Ademir já se dobrava ao feitiço do cinema. Desde esse tempo até hoje, com trabalhos premiados, Ademir percorreu um longo caminho.
Amador, autodidata, guerrilheiro cultural, como se autodenomina, teve na fotografia, várias premiadas, o começo de uma vida voltada para a arte. Na verdade, a arte, é o fio condutor de suas manifestações. A escultura, num viés ambiental, pela primeira vez aqui exibida, resgata da natureza, a sobra que ninguém quer e lhe revela a beleza e a forma. É isto que permeia muito a sua história: preocupação com a natureza e o resgate cultural. A colagem, outra manifestação artística, está à espera de um motivo para ser mostrada.
Seus filmes, os vários que fez, trazem as histórias dessa terra, de sua gente, seus valores e, às vezes, com uma delicadeza como vista no “O Presente”, que confunde nossa emoção. Não sabemos se gostamos mais do protagonista ou do diretor, que caminham pela trilha, a conversar como duas crianças.
Ou, então, no “A Origem”, último filme, permeado por uma paciência de seis anos, a espera que as árvores crescessem para enfim, produzir uma prancha de surf, sem nenhum resíduo tóxico, exatamente o contrário do que acontece nesse tipo de  produção. De novo, o meio ambiente é o protagonista da história. É pra lá que ele ruma.
A cultura açoriana é sempre o cenário para os filmes; compondo com a arquitetura, o vestuário, a linguagem, tão rica e original, o trabalho da pesca, as festas, emoldurando os “causos” que Ademir sabe tão bem dirigir porque entende, escuta e fala a mesma linguagem.
Só um caso de amor é capaz desses feitos.  Como um homem apaixonado, é capaz de desvendar sua ilha, suas cores, suas belezas e suas cumplicidades para aqueles acostumados com tanta beleza e nem sempre atentos, para os atentos e para os que não a conhece. É um chamado alegre e sofrido ao mesmo tempo. Alegre porque a ilha é linda, e ele sabe cantar sua aldeia, sofrido porque os menos atentos podem deixar que lhe roubem as cores e as formas. Por isso vai a qualquer lugar mostrá-la: nas periferias, nas universidades, nos bairros, escolas, associações, em Portugal e daqui a pouco, na França e na Alemanha para a mostra “Interperiferia”. Para que não lhe roubem as cores e as formas.
E sabendo que o cinema pode libertar o homem culturalmente, pegava seu filho, Gustavo, na escola, ainda menino, e o levava ao cinema. Hoje, Gustavo, é um editor profissional da área.

      Isolete Dozol - ONODI

Homenagens à Ademir Damasco

“Ademir e Gustavo são duas asas de um mesmo pássaro,

que sobrevoa o Campeche e, com olhos amorosos, registra

a história que se desenrola na aldeia, guardando a vida na

memória. Imagens, sons, a voz das gentes que, capturadas,

dizem do mundo. Ademir e Gustavo, pai e filho, são universais.

Na arte que constroem arrebatam e encantam. Com eles, viajamos

e amamos os lugares simples e a vida plena. Com eles, somos!”

- Elaine Tavares - Jornalista.

Rádio comunitária do Campeche.



"O Ademir Damasco é um ilhéu nato ou um mané autêntico,

como queiram. Seus filmes são elogios a nossa terra e seus habitantes.

Sua narrativa muito própria tem a atração da humildade e da

generosidade das pessoas que aqui habitam.

O Nenem, com é conhecido pelos mais próximos, tem a

simplicidade de seus filmes - sublinho que a simplicidade é uma

arte muito difícil de se atingir - e a grandeza do Brasil e do Mundo,

mostrando o colorido da cultura local que é também universal.

Dizem (sujeito oculto, como gosta m os manés e ilhéus, como nós)

que somos uma espécime em extinção, mas se depender do Nenem

e de seus filmes o mané vai durar eternamente. A Ilha precisa de

mais Nenens".

- Zeca Nunes Pires, cineasta



"Ademir Damasco é pura raiz: o que cria, imagina, sonha, transforma,

vê e faz tem por inspiração a Ilha de Santa Catarina, onde nasceu,

sempre viveu e há de se eternizar. Artista autodidata, treinou o olhar

na fotografia para depois capturar as imagens em movimento com a

mesma maestria dos velhos pescadores que cercam os cardumes de

tainhas na sua nativa praia do Campeche. Suas fotografias,

intervenções e documentários brotam da terra, das areias, das águas

do mar e da natureza da Ilha, esculpindo a luz, o tempo e o espaço que

o abraçam na fiel companhia do filho, irmão, amigo e cúmplice Gustavo.

Feliz do povo que tem entre os seus um Ademir Damasco, humilde e sábio,

pés na areia e olhos no horizonte, seguindo sempre em frente, apaixonado,

a cantar sua aldeia e dessa forma se fazendo universal."

- Eduardo Paredes - Cineasta



“Como apresentar Nenem (Ademir Damasco) em textos, pois ele se faz em

imagens e sons. Documentarista, amigo e acima de tudo um homem do

cotidiano. Na busca de resgatar, reavivar e contar a vida de uma cidade, o

faz sempre com o cuidado de não interferir nas cenas da realidade.

Obrigado Nenem por seu trabalho incansável de preservar as coisas de

nossa aldeia.

Um abraço”

- Prof. Hugo Adriano Daniel

Pescador, e Historiador



“Ademir Damasco, o nosso Nenen, o nosso cineasta, múltiplo em

suas ações, na cultura e história local, mostra com muita

profundidade e extrema simplicidade em suas obras {filmes,

documentários,fotos,esculturas, etc } a cultura e as histórias do

nosso bairro, da nossa ilha, da nossa gente.

Nenen, nosso manézinho de OURO.”

- Ciso Paz na Terra {Tarcísio Bastos Schaefer}

Campeche Surf Club - Surf Sempre.....

“Na inquietude da sua arte multi facetaria, Ademir Damasco,

o Neném, dá um majestoso sacode no imaginário

Ilhéu, seguindo os passos dos grandes mestres.”

- Jorge Coelho -Musico




“Olhar apurado de observador, documentarista

nato de extrema importância para a preservação da memória ilhéu.

Ademir Damasco consegue captar a pureza do cotidiano.”

- Tiago Santos, montador e Produtor FAM

“Com cada documentário feito, um pedacinho de vida é preservado.

O trabalho de Ademir abrange décadas, e por isso, para centenas

de anos uma parte da vida do Campeche será preservada.

Ademir não é apenas um talentoso artista e cineasta,

é um guardião da cultura e da história.”

- Todd Soughtgate - Cineasta




A fotografia é o único meio de expressao que fixa para sempre o

instante preciso. Nós, os amantes desta arte, estamos

sempre a volta de com coisas que estão desaparecendo. Quando

olhamos o trabalho fotográfico do nosso querido amigo Nenem

(Ademir Damasco) percebemos claramente a sua

preocupação em registrar esses instantes de uma forma ludica,

criteriosa e apaixonada e com isso preservar a historia,

a riqueza cultural, sua gente e a natureza dos lugares

por onde andou, proporcionando as futuras gerações, através

de suas fotos, a possibilidade de reviver um

pedaço da vida desses lugares.

"Fotografar, é colocar na mesma linha,

a cabeça, o olho e o coração"

Henri Cartier-Bresson

- Milton Ostetto

domingo, 11 de setembro de 2016

Fotos - A Origem

Retrospectiva do FIlme A Origem em 2015, esperamos que 2016 seja ainda melhor!

Vencedor da categoria Média Metragem. Festival Internacional de Cinema Independente Festicini, Sumaré - São Paulo.

Seleção Oficial Surf at Lisbon - SAL, Portugal 2015 - Representado por Fernando Marreco Muniz.

Colégio Brigadeiro Eduardo Gomes - Campeche, 12 sessões - 800 alunos de 06 à 16 anos.

Seleção Oficial Mimpi - Surf e Skate Festival - RJ 2015

Casa de Seu Jorge

Eis aí mais uma oportunidade de debruçarmo-nos sobre uma foto do arquivo do documentarista Ademir (Nenem) Damasco. 



Essa foto nos remete a uma casa da Rua da Capela pertencente a um personagem emblemático da história do Povo do Campeche, Seu Jorge da Januária (sendo januária sua mãe)ou também conhecido como Jorge da Mena ( sua esposa). Essa é uma característica das comunidades de descendentes de açorianos que reconhecem seus moradores a partir do nome dos pais ou cônjuges. 
Nesta foto seu Jorge está sentado na porta de sua casa tomando um solzinho de inverno. Aparece segurando sua bengala pois já estava acometido de cegueira total. ,
Na comunidade era conhecido como um hábil vigia de pesca da rede da família Inácio. Sua cegueira foi provavelmente decorrente do diabetes mas como ainda era uma doença pouco diagnosticada, muitos creditavam sua falta de visão ao fato de passar horas e horas olhando para o mar na captura de alguma manta (cardume) de tainhas ou anchovas. 
Mesmo cego seu Jorge nunca abandonou a atividade da pesca,e ainda ajudava a puxar as redes. Nos arrastões colocava seu quinhão no samburá (balaio de cipó e bambu com alças) e ao apalpar os peixes reconhecia de qual espécie se tratava.
Seu Jorge gostava de um bom papo e era muito apegado a vida, manifestando sempre o medo de morrer. Cada vez que o sino da capela tocava anunciando mais uma morte na comunidade Seu Jorge exclamava em tom de preocupação: “Ai ai ai Mena, ai,ai,ai Mena, ai, ai, ai...”
Na casa, existia um puxadinho que era utilizado para guardar as ferramentas da lavoura e pesca ou para abrigar o fogão a lenha. Observamos ainda uma tábua pregada na soleira da janela da cozinha que servia de apoio para lavar e secar a louça. Estas são também características de uma moradia de descendentes açorianos.

Eis aí mais um pedacinho da história de nosso povo.

Hugo Adriano Daniel é professor e historiador -
profhugoadriano@gmail.com

NICOTA - A Alegria em Pessoa

É muito prazeroso falar e escrever sobre Ana Honorata Vigânigo. Não sabe quem é? Mas se eu disser que se trata de Dona Nicota tenho certeza que você já esboçou um alegre sorriso. Era assim esta mulher de sorriso fácil.

Dona Nicota nasceu em 10 de outubro de 1929 , na comunidade do Campeche em família simples, mas que conquistou amizade de muita gente. Manezinha autêntica. Relembramos aqui alguns momentos na vida desta mulher. Nunca a vi reclamar de coisa alguma. Pelo contrário, conquistava a todos com seu jeito afetuoso de ser, sempre disposta a uma bela gargalhada.
Filha e esposa de pescador e numa época em que o dinheiro circulava apenas nas mãos de poucos, Dona Nicota praticava a troca como meio de sobrevivência. Não foram poucas as vezes em que trocava peixes por farinha e outros mantimentos .
Seu esposo, Zé Trocato (no registro lia-se Torquato), era um vigia da pesca da tainha de visão muito apurada e um habilidoso pescador de espinhel de caixeta. Espinhel de Caixeta é um método de enrolar um espinhel dentro de uma caixa de madeira, adentrando nas primeiras maretas (ondas) do mar e arremessando a linha para que a força da maré o leve para as águas mais profundas. Além de pescador ele era um conceituado forneiro de farinha de mandioca, saindo de suas mãos uma farinha de excelente qualidade. Trabalhava nos engenhos de farinha do Cândido Rocha, , Bento ( Félix) Cordeiro e tantos outros.
No início dos anos setenta, quando as primeiras linhas de ônibus passaram a circular no bairro Campeche em direção ao Centro, Dona Nicota passou a ser uma passageira assídua e assim foi desvendando novos caminhos pela cidade. Lembro que a Estrada Geral do Campeche, não possuía qualquer pavimentação e em dias de chuva Dona Nicota chegava esbaforida e no meio do caminho alarmava ao motorista para que a esperasse. “Espera seu Botinha, o motorista, que a Chiquinha vem mais atrás. Ela não pode andar ligeiro, pois sofre de pianço”. Chiquinha é sua filha e sofria com problemas asmáticos.
Dona Nicota também era conhecida como “a mulher da Consertada”. Explico: Consertada era uma bebida caseira feita de vinho, groselha, cachaça e café e era servida na época do Natal e Terno de Reis. Esta tradição vinha de seus antepassados, principalmente de sua mãe, Dona Honorata.
Dona Nicota jamais foi acordada pelo sol na sexta feira santa. Levantava antes do amanhecer para tomar banho de mar e colher marcela preservando desta forma a tradição cristã açoriana.
Um momento de extrema alegria de Dona Nicota foi no Carnaval de 2006 sendo homenageada pelo bloco de carnaval Onodi do Campeche como rainha do Carnaval e desfilou em cima do caminhão de som, com a faixa de rainha com uma enorme alegria estampada em seu rosto, encantando a todos, nativos e turistas.
Em toda minha vida só vi Dona Nicota manifestar um sentimento de tristeza. Quando o fiscal da Prefeitura a intimou para que se desfizesse de seu galo que ao cantar de madrugada atrapalhava o sossego da vizinhança. Mesmo assim Dona Nicota não se faz de rogada, olha para o fiscal, depois para o galo e dispara: “Quem? Esse tanso?”
Dona Nicota além de ser a alegria em pessoa exercia um profundo espírito de solidariedade e semanalmente era encontrada nos corredores dos hospitais, visitando os doentes levando-os seu abraço de carinho e conforto.
Dona Nicota foi alfabetizada aos 70 anos de idade, onde concluiu o ensino básico desistindo do ensino médio por considerar a matemática muito difícil. Gabava-se de não ter faltado a nenhuma aula. Lembro-me de uma ocasião ela me falar : “Hugo o computador é uma coisa muito estranha. Se aperta uma letra embaixo e ela aparece em cima”. Em outra ocasião me confessou: “È muito difícil fazer a letra pegada (letra cursiva). Após a alfabetização escreveu um livrinho de três páginas contando um pouquinho da sua vida. Este fato a fez ser merecedora de uma citação do colunista Cacau Menezes na tela RBSTV. Ela me emprestou o livro para uma leitura e como eu demorei a devolvê-lo ela me indagou: “Não vais me devolver o livro?” Eu rapidamente respondi: Ainda não terminei de lê-lo. Ela prontamente retruca: “És ruim de leitura, hein”. E caímos na gargalhada. O livro trazia um versinho de moda da ratoeira, uma dança de tradição açoriana, que transcrevo aqui: O engenho de farinha tem três tocador / um na prensa, outro no forno / O mió no cevado.
Em 2010 Dona Nicota é acometida de um câncer, mas mesmo adoentada nunca exibiu qualquer reclamação e mal humor. Quando era indagada sobre a doença ela de pronto respondia: “Tô nas graças de Deus”.
Dona Nicota além de cuidar da casa, trabalhava nas farinhadas e ainda tecia rendas de bilro para agregar ao orçamento familiar. No entanto estas tarefas nunca foram empecilhos para participar das atividades comunitárias e principalmente na espiritualidade. 
Acompanhava a bandeira do divino e nunca faltava as missas e as novenas sentando-se sempre na primeira fileira da Capela São Sebastião no Campeche. Foi ali que no dia 27 de julho de 2013 , em plena missa sentiu-se mal sendo conduzida ao hospital vindo a falecer no amanhecer do dia seguinte aos oitenta e três anos de idade. Deus não poderia escolher uma forma de morte mais simbólica para Dona Nicota. Sua lembrança será eterna. Dona Nicota, o sorriso e a alegria em pessoa.


Link para o trailer do filme sobre a Dona Nicota. 

Texto: Hugo Adriano Daniel – Professor/Historiador 
profhugoadriano@gmail.com 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Clube de dança de Chico Doca



Esta foto do Ademir Damasco (nenê) publicada por Amilton Andrade nos remete a um pedacinho da Historia do Campeche. Mostra exatamente a esquina da rua da Capela e Avenida Campeche. A casa com as janelas abertas era o clube de dança do Chico Doca onde as pessoas se encontravam aos domingos para as tradicionais domingueiras. Vinha gente de toda a região (Campeche, Rio Tavares, Costeira, Lagoa da Conceição ....). Ali se formaram muitos casais que estão juntos até hoje. A maioria dos jovens da Lagoa vinham na rural do seu João Teófilo que fazia os fretes. Chico Doca juntamente com um filho cuidava da porta. Sem uso de carimbo ou qualquer outro tipo de controle, ele sabia exatamente quem havia pago a entrada (cota) e não errava nunca. Quem não tivesse condições de pagar naquele momento ele liberava o fiado até a próxima domingueira. Ninguém ficava sem se divertir. O conjunto musical preferido era da família do João Orlando (Baiá, Carlinho, Betinho etc). Tocavam desde músicas internacionais até a popular brasileira. Como eu era ainda muito jovem me divertia vendo os adultos dançarem e tomando gasosa gelada em cochos de madeiras com gelo e serragem. Na segunda feira me levantava cedinho e vasculhava ao redor do clube na intenção de achar moedas, bijouterias... Bons tempos. Esta casa foi demolida e construída outra com arquitetura moderna onde funciona uma imobiliária.
A casa que aparece com a porta fechada pertencia ao seu Emílio, coveiro da comunidade. Ali funcionava a barbearia. Hoje dá lugar a um sobrado onde funciona uma farmácia. 
O carro de bois carregado de lenhas era do seu Aristides Chagas que aqui aparece na companhia do seu Zé Carlota. Provavelmente estão se preparando para a farinhada. O Campeche possuía muitos engenhos de farinha que com a especulação imobiliária desapareceram. Essas são histórias de nossa comunidade.

Texto por: Hugo Adriano Daniel

Casa da Oscarina

O OUTRO LADO DA RUA


No Mês passado publicamos uma foto do Ademir (Nenen) Damasco onde retratava a esquina do Campeche com a rua da Capela. Nesta semana foi publicado uma outra foto, também do Nenen, representando a mesma esquina mas com ângulo inverso que achei caber também um comentário e uma republicação.

De fato a senhora que aparece na janela da casa do meio é a Dona Oscarina. A casa provavelmente construída no fim da década de sessenta. Vejam que não há cerca pois não era hábito do açoriano murar ou cercar sua propriedade. A construção é de madeira e bastante alta do solo onde se aproveitavam o espaço vazio para guardar suas ferramentas do trabalho na lavoura (enxadas, pás ,foices, machados...) . A construção de casas de madeira e deste estilo se intensifica na década de sessenta. Antes deste período os açorianos construíam suas casas de material sólido utilizando o óleo de baleia para o preparo da argamassa. Nestas casas dos açorianos mais antigos também não haviam jardins pois aproveitavam a parte da frente do terreiro para secar café que denominava-se eira ou até para secar as redes de pesca. Os açorianos mais abastados desenhavam com massa a bordadura do telhado para encobrir a telha de calha quase que totalmente. Isso denominava-se beira. Daí a clássica frase quando alguém é desprovido de riquezas: Este não tem eira nem beira.

Voltamos a foto. Do lado esquerdo aparece uma ponta de telhado e uma cerca. Esta casa e a cerca é posterior a década de setenta e pertencia a um morador da Costeira do Pirajubaé, seu Chico da Marina. Hoje é uma pizzaria. Antes de pertencer a ele esta propriedade era do senhor Osvaldo Gonçalves (Vadinho do Neneca )sendo ali o ponto de encontro dos homens da comunidade que trocavam algumas palavras sobre a pesca, a lavoura e degustavam um traguinho é claro, ninguém é de ferro. As crianças não podiam entrar nem para comprar. Chamava-se o pai que estava no recinto e este realizava a compra. Geralmente alguns gramas de carne seca e uma garrafinha de querosene para a lamparina (pomboca).

A casa da direita pertence ao Nilton Vigânigo, (Nilton da Praxedes). Sua construção é posterior a casa da Oscarina , pois foi erguida e transformada em comércio quando o mesmo retornou da cidade de Santos onde fora viver para “ganhar a vida”. No Campeche não haviam empregos e muitos moradores migravam para o Rio Grande do Sul para pescar ou Santos para trabalhar em restaurantes. O comercio do Nilton da Praxedes ainda permanece ali, hoje tocado por seu filho Mauro Vigânigo, popular Babão.

Ao passar hoje no local percebe-se muita diferença da foto. Uma transformação total. Principalmente nos estilos das construções que nas reformas adquiriram novas aparências.

Texto por: Hugo Adriano Daniel

domingo, 11 de outubro de 2015

Seleção Festicini

A Origem no Festicini!

É com muito orgulho que comunicamos que nosso documentário foi selecionado para o Festival Internacional de Cinema Independente!

Agora só nos resta torcer!




http://www.festicini.com.br

terça-feira, 28 de julho de 2015

Reportagem Bom dia Brasil

Segue o link da reportagem que fizemos para o Bom Dia Brasil, da globo, falando do nosso projeto de prancha sustentável!

https://youtu.be/Qj97j-Slbuk

Agradecemos muito a oportunidade, e que mais pessoas se inspirem para criar projetos sustentáveis e ecológicos!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A Origem

Novo Trailer disponível, do documentário A origem.

O curta deve ser lançado em meados do outono de 2015.


Sinopse:


O surf é um esporte totalmente integrado com a natureza, no qual usa somente equipamentos químicos extremamente poluidores. O que este documentário propõe, é um conceito de equipamento totalmente natural, sustentável e biodegradável. Contribuindo assim para um mundo melhor, menos químico e mais natural.

sábado, 19 de outubro de 2013

Outono

Já está disponivel o documentário Outono, de 42 minutos, retratando as diferenças e contrastes de nossa ilha, trazendo um retrato do nosso centro urbano caótico e nosso interior praticamente rural, simples e calmo.

O documentário teve uma ótima repercussão em sua estréia, no FAM 2013, para o qual foi selecionado, na Mostra Catarinense.

Trailer do youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=3g__ZqrICF4




domingo, 10 de julho de 2011

Novo documentário



Estamos em fase de pré-produção do nosso novo documentário, que vai se chamar "Outono".


O documentário aborda os contrastes que encontramos em Florianópolis.


Se por um lado temos um centro totalmente urbanizado e com todos os problemas de um grande centro, como transito, violência, drogas e etc... Por outro, ainda encontramos na ilha, comunidades que parecem “paradas” no tempo, vivendo da mesma forma que os antigos viviam, a séculos atrás, mantendo nossas tradições e cultura.


O documentário está em fase de captação via Lei Rouanet e estamos procurando parceiros que queiram colaborar conosco, toda a ajuda será bem vinda.


Seguem algumas fotos.



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Flyer da Estréia


Algumas Fotos do filme Cupim, que irá estrear dia 12/02 na Capela São Sebastião no Campeche







quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Entrevista site Surf & Cult

Entrevista concedida ao amigo Luciano Burin. Segue na integra.

Motivado pelo desejo de divulgar personagens e registros da cultura do surf em Florianópolis, o diretor
Ademir Damasco superou diversos obstáculos para produzir o documentário "Cupim", que registra a vida e a história de Adilson Cupim, um lendário e controvertido surfista local da praia do Campeche em Florianópolis.

Ao longo de um ano de filmagem, o diretor - mais conhecido pelo apelido Neném - se dedicou a registrar as peculiaridades que fazem de Cupim uma figura emblemática para discutir diversos temas relacionados à cultura surf de Florianópolis e suas intensas e radicais transformações ao longo do tempo - como a delicada questão do localismo, a preservação das raizes da cultura açoriana diante do crescimento desordenado, e a busca por um estilo de vida alternativo onde o surf representa um verdadeiro canal de fuga das vicissitudes da vida moderna.

Nativo da ilha e integrante da primeira geração de surfistas de Florianópolis na década de 70, Damasco acompanhou de perto o crescimento do surf em Floripa, seja como juiz da Fecasurf ou como presidente do Campeche Surf Club, que realiza o tradicional Surfoco, o campeonato mais antigo da Ilha- sempre aos sabados de Carnaval há 21 anos consecutivos.

Com várias produções ligadas às raizes da cultura açoriana na ilha de Santa Catarina - como o documentário Farinhada que resgata a história dos antigos engenhos de farinha de mandioca e um filme sobre a pesca da tainha -, Neném encontrou na inusitada história de vida do polêmico Cupim uma maneira de divulgar ao mundo alguns aspectos que moldaram o surf em Florianópolis ao longo das últimas quatro décadas. Na entrevista a seguir ele conta um pouco sobre este filme que será lançado em janeiro de 2011:

1 - Como surgiu a ideia de fazer um filme sobre o Cupim? Foi dificil convencer ele a aceitar participar do projeto?

O documentário “Cupim”, é o meu oitavo trabalho audiovisual e estou em pré-produção de “Outono”, que vou fazer em 2011. Gosto muito de personagens, as histórias de pessoas me fascinam. O Adilson Cupim é meu amigo há quase 30 anos e é um personagem fantástico. Estava devendo pra galera um documentário sobre surf, mas queria algo diferente, e o Cupim é esse “algo”. Antes de começar a filmar, fiquei um ano conversando com ele, tentando convence-lo. Acabei vencendo no cansaço e fiquei mais um ano convivendo e participando do seu dia a dia.

2 - Explique um pouco sobre a história e características deste personagem? O que faz dele uma figura tão polêmica?

Adilson Cupim tem 48 anos, e 34 de surf ininterruptos, surfa todo dia, faça chuva ou faça sol, tendo onda ou não. Talvez seja um dos caras que mais surfou ondas no mundo. (nota do editor: junto com o norte-americano Dale Webster - veja aqui)

Tem personalidade forte, exige respeito para com os locais, e por causa disso, sempre teve dificuldades para lidar com o crowd. Tem aparencia estranha, tem uma prancha estranha (ele mesmo faz), dirige um carro estranho... Mas por traz dessa aparencia, tem um cara cultural, é oleiro (atividade quase extinta na ilha) e tem seu próprio "boi de mamão". Não fuma, não bebe, não usa drogas, é um cara correto. O surf moldou toda a sua vida, sempre o surf primeiro, depois o resto.... Virou lenda!

3 - Conte um pouco sobre a produção deste filme, como os desafios da filmagem, tempo de produção, equipe envolvida e previsão de lançamento?

O documentário terá 40 minutos e não tem apoio financeiro, faz parte do idealismo de quem gosta de filmar. É um trabalho 100% autoral, que consumiu um ano de trabalho com orçamento zero e 3 elementos constantes na equipe: eu como roteirista, produtor e diretor, Gustavo Damasco (filho de Ademir) camêra/edição/ assistência de direção, e Aline Sayuri Yamada - still e produção. Estamos em fase final de edição, com lançamento previsto para a segunda quinzena de janeiro, no salão paroquial da Igreja São Sebastião, no Campeche.


4 - Qual a sua expectativa em relação a este documentário? Que mensagem você deseja transmitir?

O surf na ilha tem 40 anos, já temos histórias próprias, já passou por gerações. Conhecemos muitos gringos - australianos, americanos, havaianos - que nos contam as suas histórias. Vamos conhecer um pouco da nossa história também.

Vou legendar o filme em inglês, porque queria que os gringos conhecessem um pouco dessa história, já que ela é universal. Em todo lugar do mundo tem pessoas assim (como o Cupim), totalmente envolvidas com o esporte, fazendo dele, seu norte. E contar uma história nossa, nativa, de um cara açoriano, dirigido por um cara daqui, também nativo e estritamente ligado a esse universo.



Entrevista publicada no site Surf&Cult, para acessar clique em: http://www.surfecult.com/2010/12/cupim.html

sábado, 21 de agosto de 2010

Filme Cupim

Depois de 8 meses de filmagens, convivendo com esse personagem controverso e muito radical, vou começar a edição do meu 7 documentário e 1 na area esportiva, desvendando assim, um pouco do universo do Surf.
"Cupim" o documentário, trata de um assunto polemico, o Localismo, que é praticado por surfistas no mundo inteiro, mas não é muito aceito pela maioria, pois trata-se da defesa pelos nativos de um pico de surf, onde os de fora, não são bem vindos. As vezes, usam métodos agressivos e nada pacificos.
Cupim é um cara de 48 anos e 34 de surf ininterruptos, talvez seja a pessoa que mais dias surfa no mundo. Ele surfa todo o dia, faça chuva ou faça sol, tendo onda ou não.
Cupim não casou, não adquiriu, não socializou, só surfou.
Fabrica suas próprias pranchas de um modo totalmente artesanal. Tem um carro estranho e é uma figura que parece estranha, mas por trás desta figura lendária e enigmática, tem um cara sensivel, com preocupações culturais; Cupim é oleiro, uma profissão em processo de extinção; Cupim tem um boi-de-mamão, brinca na maricota, na bernunça ,etc...
Esse personagem controverso vai ser desvendado no documentário que será lançado em meados de 2011. Pretendo traduzir para o ingles e espanhol, porque esse cara é uma figura universal.
A história dele é universal. A pretensão é lançar no mundo inteiro. Vamos trabalhar para que isso aconteça.

Link do trailer:
https://www.youtube.com/watch?v=ZqMzrtI2wa8




Fotos por: Aline Yamada